Violência nas escolas

Violência nas Escolas

Qual é o perfil dos adolescentes portugueses que se envolvem regularmente em actos de violência na escola, quer como vítimas, quer como provocadores, quer com duplo envolvimento (simultaneamente vítimas e provocadores), de acordo com um estudo realizado pelo projecto Aventura Social e Saúde, Faculdade de Motricidade Humana, Universidade Técnica de Lisboa?

Foi realizado um estudo junto de 6903 jovens do 6º, 8º e 10ºanos de todo o país, utilizando um questionário. De acordo com estes dados, os rapazes envolvem-se mais em actos de violência na escola, quer como provocadores, quer como vítimas, quer com duplo envolvimento. Este envolvimento em actos de violência parece ter um pico aos 13 anos, embora os mais novos (11 anos) se envolvam mais, enquanto vítimas.

Os resultados sugerem que, no geral, os jovens que se envolvem em actos de violência apresentam um perfil de afastamento em relação à casa, à família e à escola, aparecendo com mais frequência um grupo de amigos com quem se dão fora e depois da escola. Apresentam também com mais frequência envolvimento com experimentação e consumo de tabaco e álcool e envolvimento em lutas e porte de armas.

Os jovens que se envolvem em actos de violência referem mais frequentemente ver televisão quatro ou mais horas por dia. Os jovens que não se envolvem em actos de violência referem menos frequentemente sintomas de mal-estar físico e psicológico.

Os jovens que se envolvem em actos de violência como vítimas e os jovens que têm um duplo envolvimento (simultaneamente como provocadores e como vítimas) referem mais frequentemente não se sentirem felizes, bem como não se sentirem seguros na escola. Os jovens que se envolvem em actos de violência enquanto vítimas referem em geral problemas de relação social com os pares: acham difícil arranjar novos amigos e referem não ter amigos.

 

 

Os jovens e o envolvimento em comportamentos de violência na escola

Violência na escola

Neste estudo, considera-se uma provocação quando um aluno (mais velho ou mais forte) ou um grupo de alunos disseram coisas desagradáveis a outro ou gozaram com ele de uma forma que ele não gostou. Não se considera provocação quando dois alunos da mesma idade ou tamanho se envolveram numa discussão ou briga.

Envolvimento em violência (n=6807)

Não

Vítima

Provocador

Duplo

74.3%

13.6%

6.3%

5.8%

 

 

Da totalidade dos jovens, 25.7% (1751) revelaram estarem envolvidos em comportamentos de violência na escola, ou como vítimas (alvos da provocação), ou como provocadores (agentes da provocação) ou duplamente envolvidos (simultaneamente vítimas e provocadores), mais do que duas vezes no período lectivo.

 

Sexo

Envolvimento em violência (n=6807)

Não

Vítima

M

41.9%

F

58.1%

M

58.0%

F

42.0%

 

 

Envolvimento em violência

Provocador

Duplo

M

63.3%

F

36.7%

M

66.8%

F

33.2%

 Os rapazes afirmam mais frequentemente estarem envolvidos em comportamentos de violência: como vítimas, como provocadores e simultaneamente como vítimas e provocadores, do que as raparigas.

 Idade

Envolvimento em violência (n=6722)

Não 

Vítima 

11

14.5%

13

30.5%

15

34.5%

16 ou +

20.4%

11

20.5%

13

38.0%

15

29.4%

16 ou +

12.0%

 

Envolvimento em violência (continuação)

Provocador

Duplo

11

12.0%

13

37.7%

15

32.1%

16 ou +

18.2%

11

17.1%

13

42.2%

15

27.6%

16 ou +

13.0%

 Os jovens que têm 13 anos estão envolvidos mais frequentemente em comportamentos de violência: como vítimas (os de 11 anos também estão envolvidos), como provocadores e simultaneamente como vítimas e provocadores.

 Assim:

  • Os jovens que fumam estão envolvidos mais frequentemente em comportamentos de provocação;
  • Os jovens que bebem álcool estão envolvidos mais frequentemente em comportamentos de provocação e em comportamentos de duplo envolvimento (vitimação e provocação simultaneamente);
  • Os jovens que se embriagaram (duas vezes ou mais) estão envolvidos mais frequentemente em comportamentos de provocação;
  • Os jovens que já experimentaram alguma droga, estão envolvidos mais frequentemente em comportamentos de provocação;
  • Os jovens que consumiram drogas no último mês, estão envolvidos mais frequentemente em comportamentos de provocação e em comportamentos de duplo envolvimento (vitimação e provocação simultaneamente);
  • Os jovens que se envolveram em lutas (uma vez ou mais nos últimos 12 meses) estão envolvidos mais frequentemente em comportamentos de violência: como vítimas, como provocadores e simultaneamente como vítimas e provocadores;

 Andar com armas:

Os jovens que andam com armas (por exemplo, navalha ou pistola) um dia ou mais nos últimos 30 dias estão envolvidos mais frequentemente em comportamentos de violência: como vítimas, como provocadores e simultaneamente como vítimas e provocadores.

 

 Sentirem-se felizes

Os jovens que não se sentem felizes, estão envolvidos mais frequentemente em comportamentos de vitimação e em comportamentos de duplo envolvimento (vitimação e provocação simultaneamente);

Os jovens que não gostam da escola, estão envolvidos mais frequentemente em comportamentos de provocação e em comportamentos de duplo envolvimento (vitimação e provocação simultaneamente);

Os jovens que acham que ir à escola é aborrecido, estão envolvidos mais frequentemente em comportamentos de provocação e em comportamentos de duplo envolvimento (vitimação e provocação simultaneamente);

Os jovens que não se sentem seguros na escola, estão envolvidos mais frequentemente em comportamentos de vitimação e em comportamentos de duplo envolvimento (vitimação e provocação simultaneamente);

 

Comunicação com os pais:

 Os jovens que consideram difícil falar com a mãe sobre o que os preocupa, estão envolvidos mais frequentemente em comportamentos de provocação e em comportamentos de duplo envolvimento (vitimação e provocação simultaneamente).

Os jovens que consideram difícil falar com o pai sobre o que os preocupa, estão envolvidos mais frequentemente em comportamentos de provocação e em comportamentos de duplo envolvimento (vitimação e provocação simultaneamente) e ainda os jovens que não têm pai ou não o vêem, estão envolvidos mais frequentemente em comportamentos de vitimação.

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