Historiados cruéis em Portugal

A brandura nacional nunca existiu

A história do crime violento, em Portugal, tem alguns exemplos de mortes brutais e massacres, mas relativamente poucos de crimes sexuais em série. Os casos mais famosos deste último tipo são sobretudo dois e quase coincidem no tempo: a sequência de mulheres estranguladas em Cascais, entre 1987 e 1989, e sobretudo o chamado caso do Estripador de Lisboa, um enigma que a polícia nunca conseguiu resolver.

Entre os exemplos de delinquentes que mataram muita gente, por vezes com requintes de malvadez, sobressai a história de Diogo Alves, um galego que serviu de inspiração para alguma literatura e até para o primeiro filme de ficção português. A película Os Crimes de Diogo Alves (realizada em duas tentativas, em 1909 e 1911) é baseada na lenda da cruel carreira deste homem, que ficou famoso por lançar as suas vítimas do alto do Aqueduto das Águas Livres.

O crime sexual também fez parte do quotidiano português, muitas vezes apaixonando a opinião pública, mas sobretudo ligado a histórias de ciúmes. Reinaldo Ferreira, o famoso Repórter X, investigou por sua conta a morte da corista Maria Alves, estrangulada num táxi e lançada para a via pública. O caso horrorizou a Lisboa de 1926 e Ferreira, que era um cocainómano, ajudou a incriminar o ex-empresário da assassinada, um tal Augusto Gomes, que sempre se declarou inocente. Mais tarde, o jornalista realizaria um filme,Táxi 9297 (1927), que aproveitava uma obsessão mórbida do público pelo estranho caso de ciúmes, a motivação afinal atribuída à morte da corista.

 

Tudo isto parece impiedoso, ligado ao interesse fugaz do público pela realidade policial, mas não entra na tipificação do serial killer, um criminoso particularmente desumano, que os teóricos associam a estados dementes.

Como explicar de outra forma um assassino em série como o Estripador de Lisboa (nunca capturado), que retirava órgãos às suas vítimas, encontradas em estado de horrível mutilação. “Padrões normais de comportamento não podem explicar uma coisa destas”, dizia recentemente ao DN um experimentado investigador da polícia.

Na realidade, também não há muito espaço para a racionalidade noutros dois crimes que abalaram a sociedade portuguesa: o Caso da Praia do Osso da Baleia, em Março de 1987, com sete mortos; ou ainda a bárbara matança de seis empresários em Fortaleza, Brasil, por um bando de brasileiros comandado pelo português Luís Miguel Militão.

O primeiro massacre foi executado por um bancário, Vítor Jorge, então com 39 anos, que alguns especialistas consideraram sofrer de perturbações mentais, mas o tribunal nunca aceitou a tese de inimputabilidade. O homem tentara suicidar-se, sem o conseguir. E, naquela fatídica noite de 1 de Março, deu uma boleia a cinco jovens, que levou até a uma praia da região, matando cada um deles a tiro e à pancada.

O criminoso foi depois para casa, onde iniciou a chacina da própria família: matou a mulher e a filha mais velha, mas, finalmente cansado, poupou a vida às duas crianças mais novas. O crime e o julgamento de Vítor Jorge emocionaram o País, que não estava habituado a tal brutalidade.

O mesmo choque era inevitável perante os factos apurados pela polícia brasileira, em Agosto de 2001, sobre a morte violenta de seis empresários portugueses, em viagem naquele país . Atraídos a uma emboscada (um deles conhecia o criminoso), os seis foram espoliados dos bens e, depois, assassinados com crueldade, para não poderem testemunhar contra os ladrões.

 

O cabecilha do bando era um português, Luís Miguel Militão, então com 31 anos, cuja carreira de crime não parou atrás das grades. Recentemente, apesar de continuar preso, terá comandado uma tentativa de sequestro de um político.

Os pormenores da chacina são macabros, com uso de extrema violência. Ficou também apurado que nem todas as vítimas morreram imediatamente. Em pelo menos dois casos, a causa da morte foi asfixia, pois o bando tinha enterrado os corpos sob a placa de cimento do bar que Militão explorava na praia de Fortaleza.

Na história do crime, em Portugal, há outros exemplos de massacres, mas são raros os que assumem este grau de horror ou nível de violência.

 

 

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