De que forma a ciência soluciona crimes

Como a Ciência Soluciona Crimes

Da balística ao DNA, os cientistas forenses estão a revolucionar revolucionando o trabalho policial – na TV e na realidade. E bem a tempo.

 

Para um olho não treinado, o fragmento de chumbo parece totalmente sem valor. Mas para os examinadores do laboratório de Álcool, Tabaco e Armas de Fogo isto vale ouro: um fragmento do projéctil que pode ligar a mais recente vítima do atirador serial às anteriores. As balas são levadas cuidadosamente para o laboratório e entregues em mãos ao principal perito no caso. Usando um pouco de cera, ele prende o fragmento a uma pequena haste suspensa sob o seu microscópio de comparação e posiciona-a lado a lado com uma das balas disparadas pelo atirador. Então, ele roda as balas 360 graus, virando-as de um lado para outro como um par de dançarinas sob o seu instrumento óptico. Após um longo estudo, levará várias horas para o chefe da secção confirmar formalmente as conclusões, ele refere se as balam realmente combinam.

Mesmo com todos estes dados a mão, sorte e uma boa dica ainda podem ser necessárias para prender o suspeito contudo, os investigadores tornam-se cada vez menos dependentes do acaso.

O que eles revelaram é apenas uma amostra do que possuem nos seus kits de alta tecnologia. Há programas de computador que transformam vídeos pouco claros de vigilância em imagens digitais claras.  Há scanners químicos que sondam evidências, molécula por molécula. Há sensores experimentais e controversos que analisam as ondas cerebrais do suspeito e determinam o que ele sabe e o que ele não sabe. O ramo de caçar e prender bandidos está a passar por uma revolução tecnológica. O público, sempre ávido pela próxima novidade não deixa de estar atento à evolução.

 

Ligação da ciência ao crime

Há muitos especialistas que se perguntam se é bom transformar a ciência forense numa moda. Solucionar crimes não é um trabalho tão rápido e confiável quanto um roteiro de 46 minutos faz parecer. As investigações podem levar meses, as evidências podem ficar confusas e os tribunais, desconfiados de qualquer novo equipamento, sempre reputam em aceitá-los. Isto sem falar no pântano de questões constitucionais levantadas quando um promotor tenta empregar o DNA ou o cérebro do suspeito.

Parte do problema é que a ciência forense envolveu sempre doses iguais de arte e ciência, um aspecto apresentado quando um juiz da Filadélfia descartou uma evidência de impressão digital num caso de assassinato depois que um especialista não conseguiu explicar satisfatoriamente para ele o motivo de tais identificações serem consideradas confiáveis.

Desta forma, a ciência forense é na melhor das hipóteses um ramo incerto, um exercício de descascar cebola na investigação de um crime, usando de tudo, desde o trabalho comum do detective até contabilidade forense aplicada em casos. Mas, crimes passionais ou violentos exigem um conjunto totalmente diferente de ferramentas, e é aqui que grande parte da nova ciência é encontrada.

Desde a orgia de evidências do julgamento, a ciência forense ficou associada para muitas pessoas com uma única coisa: DNA. E por um bom motivo. A capacidade de extrair células dos tecidos ou fluidos corporais e usá-las para identificar uma pessoa com quase certeza sacudiu a criminalística como nada antes. À medida que os técnicos se aprimoravam na extracção de DNA até mesmo das menores amostras, a tecnologia tornou-se cada vez mais útil, permitindo que células ricas em evidências pudessem ser obtidas a partir de traços de suor, lágrimas, saliva e manchas de sangue de 2,5 milímetros de diâmetro.

O que está a surpreender, até mesmo os cientistas são os vários e menos prováveis locais onde podem obtê-lo. O DNA geralmente só é encontrado em células que têm núcleo, o que elimina as células das unhas, dentes e fios de cabelo. O que estas células têm é algo chamado DNA mitocondrial, uma forma mais primitiva de código genético herdado apenas da mãe. Mas, uma técnica de sequência de DNA mitocondrial desenvolvida pelos antropólogos para ajudar a traçar os ancestrais humanos tem sido adoptada pelos pioneiros do combate ao crime. Ninguém finge que a nova tecnologia é tão precisa quanto o perfil do DNA tradicional.

Todavia, a apesar de todo o seu glamour e promessa, o exame de DNA não é a tecnologia que realmente empolga os cientistas forenses ou as pessoas que produzem as séries de televisão. O que os mais empolga é o equipamento ou seja, os microscópios, scanners e espectómetros de massa que permitem aos investigadores ver com impressionante precisão qualquer pedaço de evidência.

 

Por exemplo, um dos trabalhos que os investigadores criminais realizam rotineiramente é o teste de resíduo de pólvora nas mãos dos suspeitos. No passado, este era um trabalho surpreendentemente de baixa tecnologia, envolvendo o derretimento de uma bola de parafina num pote passá-la nos dedos e nas mãos. A cera era então retirada e tratada com substâncias químicas que reagiam aos traços de pólvora. Se o resultado desse positivo, tinham o atirador a menos, é claro, que as substâncias reagissem com urina, alvejantes ou fertilizantes, que tinham o péssimo hábito de produzir resultados idênticos.

Hoje, a maioria dos laboratórios criminais que realizam o teste contam com microscópios electrónicos de escaneamento. Basta apenas colocar um pedaço de fita em contacto com as mãos do suspeito, colocar a fita no microscópio e atingi-la com um feixe de electrões. Os elementos na pólvora possuem assinaturas distintas de raio X, e se estiverem presentes, o feixe de electrões avisara-os.

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